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A Efemeridade do Novo
ana
A chuva fina apaga as últimas brasas. É assim que o velho ano se despede e cede lugar ao novo. O fogo agora está nos céus, de diversas cores e formas, ele encanta a multidão hipnotizada.
Na cozinha, a quantidade de louça lavada denuncia que a casa estava cheia. Gente de longe, de perto, de todos os lugares. Agora o burburinho da passagem da lugar à conversa no café da manhã. Lembrança, já saudosa, de algumas horas atrás.
É hora de requentar as sobras do velho. A rolha do prosecco ainda está perdida no chão e lá fora a churrasqueira jaz apagada. Aproveite o novo, ele dura pouquíssimo tempo.
ana
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Peppermint 360 – Marketing e Comunicação
Onesto

Alex Hornest (Onesto), Pixel Show 2012 – © Ana Paula Umeda
Ver para crer
Em algumas situações muitas pessoas invertem essa máxima e passam a: não ver para não crer, iludem-se ao acreditar que basta fechar os olhos para que os fantasmas desapareçam.
Tal qual uma criança, que ao cobrir o rosto acredita que esteja completamente escondida, passam a viver com os olhos vendados, apegados à certeza de passarem despercebidos pela vida.
Permanecem tanto tempo na escuridão que acabam por se acostumar a não ver. Deixam de crer nos demônios, mas também nos anjos. Sentem-se protegidos do mal, mas não concebem estarem privados do bem.
Desaprendem a olhar e quando a vida, por qualquer motivo, levanta a venda de seus olhos ficam horrorizados e, não importando se o que está a sua frente é bom ou realmente mau, já não sabem distinguir a procela da bonança.
Neste momento só existem duas alternativas:
1) Recolocar a venda e continuar acreditando que está a salvo
2) Jogar a venda fora e reaprender a ver
Essa escolha é pessoal e intransferível.
Irving Penn III
ana
Finalmente o fechamento!
ana
Nos posts anteriores (http://homovisualis.com/2011/09/11/irving-penn/ e http://homovisualis.com/2011/10/10/irving-penn-ii/) falei um pouco sobre Irving Penn e escolhi duas fotografias que embora apresentem o mesmo tema são bastante distintas: o fotógrafo de rua da série “Small Trades” e o retrato do fotógrafo Cecil Beaton. As duas fotos são impressionantes, mas a que mais me chamou a atenção foi a do fotógrafo de rua (bem como toda a série).
ana
Coloquei a foto de Cecil Beaton na conversa, pois realmente é muito interessante observar os dois retratos juntos, ambos retratados têm a mesma profissão, mas com biografias tão diferentes, captados pelo mesmo fotógrafo com a mesma maestria.
ana
Por se tratarem todos de fotógrafos, a princípio, pensei em seguir pelo caminho do espelho colocado na frente de outro espelho, mas neste caso percebi que o espelho não seria a metáfora mais adequada para essa situação.
ana
O que vemos vai muito além, é só olhar mais uma vez para cada um dos retratos. Neste caso acredito que seja mais adequado ver a fotografia como uma janela. Vou focar na série “Small Trades”, recuperando Klee, o que Penn fez foi tornar aqueles trabalhadores visíveis.
ana
Relembrando as minhas aulas de análise proxêmica na graduação, de maneira muito, mas muito resumida, existe uma “bolha” ao redor de cada pessoa, que seria uma distância confortável a ser mantida dos demais – para maiores esclarecimentos ler: A Dimensão Oculta de Edward T. Hall – já nos meus devaneios vou além e digo que algumas pessoas possuem simplesmente um muro ao redor de si.
ana
E quando vi a série “Small Trades” de Penn percebi que essas imagens têm a capacidade de que quebrar esse muro que nos separa dos demais, e esses demais não são apenas os “desconhecidos”, muitas vezes o muro nos separa, inclusive, daqueles que amamos.
ana
A fotografia, bem como a arte no geral, possui esses poderes: quebrar muros, romper barreiras, tornar visível e unir as pessoas.
ana
Esse não é um mérito exclusivo de Irving Penn, poderia citar n outros fotógrafos e artistas com trabalhos tão fantásticos quanto. Não se trata desse ou daquele em específico, mas sim da fotografia e, ampliando um pouco mais, da arte em todas as suas formas de expressão.
ana
Et tu, Brute?
“Consideremo-lo ovo de serpente que, chocado, por sua natureza, se tornará nocivo. Assim, matemo-lo, enquanto está na casca.” – Shakespeare
ana









