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Archive for novembro \29\UTC 2011

Retrato

novembro 29, 2011 2 comentários

© Ana Paula Umeda

 

ana

Eu não tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste, assim magro,

nem esses olhos tão vazios,

nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração

que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil:

- em que espelho ficou perdida

a minha face?

ana

Retrato – Cecília Meireles


Ver para crer

novembro 29, 2011 2 comentários

 

Em algumas situações muitas pessoas invertem essa máxima e passam a: não ver para não crer, iludem-se ao acreditar que basta fechar os olhos para que os fantasmas desapareçam.

 

Tal qual uma criança, que ao cobrir o rosto acredita que esteja completamente escondida, passam a viver com os olhos vendados, apegados à certeza de passarem despercebidos pela vida.

 

Permanecem tanto tempo na escuridão que acabam por se acostumar a não ver. Deixam de crer nos demônios, mas também nos anjos. Sentem-se protegidos do mal, mas não concebem estarem privados do bem.

 

Desaprendem a olhar e quando a vida, por qualquer motivo, levanta a venda de seus olhos ficam horrorizados e, não importando se o que está a sua frente é bom ou realmente mau, já não sabem distinguir a procela da bonança.

 

Neste momento só existem duas alternativas:

 

1)      Recolocar a venda e continuar acreditando que está a salvo

2)      Jogar a venda fora e reaprender a ver

 

Essa escolha é pessoal e intransferível.

 

Ciego

novembro 26, 2011 Deixe um comentário

 

“Por tus ojos que nunca han mirado
cambiara yo los míos que te ven!” – Pablo Neruda

 

© Ana Paula Umeda

 

FRAGMENTOS

novembro 24, 2011 Deixe um comentário

 

Rasgo-te!

Transformo-te em pequenos fragmentos

Tal qual um quebra-cabeça

Que ponho-me a resolver

Te reconfiguro e remonto

Da maneira que gostaria que fosses

Ao término percebo meu erro

Embaralho-te

E peça por peça devolvo-te a aparência

Colo os cacos de papel

Mas as cicatrizes em teu retrato

Denunciam minha crueldade

Qual foi meu maior erro?

Rasgar-te? Não

Mas querer

Modificar-te

 

Para Alexandre Pedro

 

Irving Penn III

novembro 21, 2011 Deixe um comentário

ana

Finalmente o fechamento!

ana

Nos posts anteriores (http://homovisualis.com/2011/09/11/irving-penn/ e http://homovisualis.com/2011/10/10/irving-penn-ii/) falei um pouco sobre Irving Penn e escolhi duas fotografias que embora apresentem o mesmo tema são bastante distintas: o fotógrafo de rua da série “Small Trades” e o retrato do fotógrafo Cecil Beaton. As duas fotos são impressionantes, mas a que mais me chamou a atenção foi a do fotógrafo de rua (bem como toda a série).

ana

Coloquei a foto de Cecil Beaton na conversa, pois realmente é muito interessante observar os dois retratos juntos, ambos retratados têm a mesma profissão, mas com biografias tão diferentes, captados pelo mesmo fotógrafo com a mesma maestria.

ana

Por se tratarem todos de fotógrafos, a princípio, pensei em seguir pelo caminho do espelho colocado na frente de outro espelho, mas neste caso percebi que o espelho não seria a metáfora mais adequada para essa situação.

ana

O que vemos vai muito além, é só olhar mais uma vez para cada um dos retratos. Neste caso acredito que seja mais adequado ver a fotografia como uma janela. Vou focar na série “Small Trades”, recuperando Klee, o que Penn fez foi tornar aqueles trabalhadores visíveis.

ana

Relembrando as minhas aulas de análise proxêmica na graduação, de maneira muito, mas muito resumida, existe uma “bolha” ao redor de cada pessoa, que seria uma distância confortável a ser mantida dos demais – para maiores esclarecimentos ler: A Dimensão Oculta de Edward T. Hall – já nos meus devaneios vou além e digo que algumas pessoas possuem simplesmente um muro ao redor de si.

ana

E quando vi a série “Small Trades” de Penn percebi que essas imagens têm a capacidade de que quebrar esse muro que nos separa dos demais, e esses demais não são apenas os “desconhecidos”, muitas vezes o muro nos separa, inclusive, daqueles que amamos.

ana

A fotografia, bem como a arte no geral, possui esses poderes: quebrar muros, romper barreiras, tornar visível e unir as pessoas.

 ana

Esse não é um mérito exclusivo de Irving Penn, poderia citar n outros fotógrafos e artistas com trabalhos tão fantásticos quanto. Não se trata desse ou daquele em específico, mas sim da fotografia e, ampliando um pouco mais, da arte em todas as suas formas de expressão.

ana

Et tu, Brute?

novembro 20, 2011 Deixe um comentário

“Consideremo-lo ovo de serpente que, chocado, por sua natureza, se tornará nocivo. Assim, matemo-lo, enquanto está na casca.” – Shakespeare

© Ana Paula Umeda

ana

Berlinde

novembro 6, 2011 Deixe um comentário

ana

© Ana Paula Umeda

ana

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